Rotulo dos empresários de futebol

13 de abril de 2012

A nova novela das 21h da Globo, “Avenida Brasil”, vem mostrando um pouco da vida dos jogadores de futebol e, consequentemente, aborda também a questão dos empresários de futebol. No capítulo do dia 6 de abril, apareceu um jogador tentando a vida e chegando na rodoviária, com um agente a sua espera.

A forma de abordagem, de vestir e conversar mostram realmente como lida o empresário de futebol com os jogadores e também com o mercado. O autor da novela conseguiu explorar com exatidão o perfil de como as pessoas veem o empresário de futebol: modelo de picareta. Infelizmente, junto ao público em geral ainda temos esse rótulo, pois os antigos perfis desse “profissional” deixaram estigmatizado esse estereótipo.

Vejo muitos jovens empresários lutando para modificar esta péssima imagem que nossos “antepassados” nos deixaram como “herança”, buscando profissionalização e ética na relação com os atletas. Surpreende-me que, mesmo assim, ainda haja alguns que insistem em ter as mesmas atitudes de décadas atrás.

Espero que aos poucos esse segmento de mercado se profissionalize e, principalmente, que disponha de pessoas que tenham estudo, cultura e valores morais para atuar numa área que lida com sonhos e diretamente com a vida e o futuro de pessoas.

O Poder do apoio na Recuperação de um Atleta

28 de março de 2012

Há um filme chamado Just Wright (Jogada Certa), de 2010, com a Queen Latifah, que é uma ótima indicação para quem possa ver, pois mostra uma lição de vida sensacional. Conta a história de um jogador de basquete que é o astro de um time, porém sofre uma lesão de ligamentos e se vê, por alguns instantes, sem saída e com uma tremenda baixa estima. Enquanto via o filme, refletia o que vejo com meus próprios olhos acontecer no futebol.

Quando tudo estava bem, o jogador em alta e com bom contrato, as pessoas estavam na sua volta e eram só sorrisos. No momento da lesão e diante da possibilidade de não mais voltar a jogar e de não ter seu contrato renovado, as coisas vão virando e é justamente quando tudo acontece e os sorrisos desaparecem.

Mas não estou aqui para contar o filme e muito menos para criticar atitudes, pois sabemos que há exceções em qualquer caso. Quero apenas traçar um paralelo com o que acontece no futebol diariamente. Muitas são as histórias e elas sempre existirão. Sorte dos que não passam por isto ou daqueles que tem a capacidade de prever e ter pessoas que possam ajudar nesta superação.

A capacidade da pessoa que ajuda na recuperação é extremamente importante, pois não colabora somente em recuperar a lesão física, mas também a “lesão” psicológica, geralmente a mais dolorosa. No filme, antes de mais nada, esse auxiliar preocupou-se em recuperar a auto-estima do atleta e mostrar o que ele representava aos outros e a ele próprio, recordando-lhe de suas origens. Enxergar sua longa e dura história de dor e sucesso o fez levantar a cabeça e ver que estava apenas diante de mais um dos obstáculos para a próxima vitória.

Este papel é de extrema importância na vida do atleta, pois ele é um ser humano e sucesso depende de sua saúde física, que está relacionada com a saúde mental. Geralmente este posto é atribuído à família e ao agente (empresário, procurador, como quer que seja chamado), que no futebol são as pessoas mais próximas.

Outro fato importante do filme é o reconhecimento que o atleta teve com a pessoa que o fez retornar ao trabalho. Ela foi a base da recuperação. No momento que o atleta se viu sem saída, havia uma mente brilhante para iluminar seus passos e fazê-lo retomar sua trajetória correta. Da mesma forma que o levou a relembrar suas origens e ver o quanto ele era reconhecido pelo que fez, o atleta não hesitou em reconhecer a importância que esta pessoa teve na fase de recuperação. Este é um dos maiores “pagamentos” que se pode fazer a um profissional: o reconhecimento.

Estes dois atos, em conjunto, fazem evoluir, pois geram harmonia em ambos os lados: o bom profissional que incentiva e apoia com seu trabalho e o atleta que o recebe e vê em si o próprio o resultado e transparece o reconhecimento com ações. Esta é uma cadeia harmoniosa natural que ajuda a dar sequência não somente no exemplo em questão, mas em tudo que fazemos na vida.

Confiança é a base de tudo

10 de dezembro de 2011

Quando falamos em confiança e a colocamos ligada às palavras “negócios”, “dinheiro” e “futebol”, de pronto já surgem algumas restrições, pois é difícil fazermos elas andarem concomitantemente. Futebol é um esporte de massa. Ele move muitas coisas, principalmente a paixão das pessoas, além de uma boa parte do comércio direto e indireto de diversos ramos de atividade. Desta forma, os mais variados perfis de pessoas se encontram e por isso a dificuldade que expus acima.

A confiança parte do princípio simples de haver cumplicidade desde os primeiros momentos vividos e consolida-se no dia a dia, não apenas nas grandes ações, mas principalmente nas pequenas. Infelizmente a definição acima se restringe a raríssimas exceções em nossa profissão.

Futebol é um meio de “brigas”, de vaidade e de poder. Cada um querendo ser mais que outro, mostrando no que pode ser melhor e desmerecendo os demais. Não deveria ser assim, mas dificilmente isso acabará. Apesar disso, já vejo focos de diminuição e isto me deixa contente, pois é uma parte da evolução do ramo em que eu trabalho.

Canso em ver atletas que possuem plenas condições em constituir uma carreira de sucesso e a “trocam”, sem mesmo saber, por promessas de crescimento rápido e dinheiro. Geralmente este dinheiro os ajuda em curto prazo, porém, se não houver um gerenciamento na carreira, a médio e longo prazo este ato pode custar caro. Esta é uma das atuações do mercado que não concordo, pois não se pode trocar planejamento por dinheiro. Pode-se juntar os dois.

Podemos considerar os jogadores, de certa forma, como artistas. Pessoas que marcam uma passagem pública, servem de espelho e referência a gerações e que, durante anos, continuam sendo lembrados. Justamente por isto eles precisam constituir uma carreira e imagem sólida e de respeito.

Todas as grandes pessoas que obtiveram sucesso e que hoje servem de referência para nossas vidas começaram do zero,  mas sempre aliaram inteligência, força de vontade e superação. Estamos falando de administradores históricos, desde Henry Ford, até os mais jovens na atualidade, como Bill Gates.

Tudo isto nos leva novamente à palavra Planejamento. Não necessariamente o planejamento precisa ser feito por alguém que tenha dinheiro e contatos, mas necessariamente esse alguém precisa ter inteligência, visão e competência. E que se tenha confiança, pois ela será fundamental nessa caminhada.

Dinheiro e contato podem ser adquiridos, inteligência, competência e bom caráter são natos.

Adaptação na Europa: Uma tarefa difícil

26 de novembro de 2011

Adaptar-se à Europa não é tarefa fácil. E não falo somente para os jogadores de futebol, mas para qualquer pessoa. Porém, como o foco de nossas conversas é o futebol, façamos uma reflexão sobre isso.

Vivendo na Europa, onde estou desde o ano passado, nota-se uma grande dificuldade de inserir-se na cultura local, pois os hábitos são realmente muito distintos. Ao trocar a sua “casa” por “outra”, tudo muda, suas coisas estão fora de lugar. E até conseguir se estabilizar, organizar as gavetas, entender horários, compreender a reação das pessoas à determinadas situações e deixar tudo certo leva um certo tempo.

Talvez este ponto seja uma das principais dificuldades dos jogadores, pois o futebol de hoje é dinâmico e não espera. Conseguir equilibrar adaptação e resultado satisfatório rápido não é muito comum, eu diria até que são raros os casos de sucesso. Além da mudança cultural, soma-se o fato de os jogadores irem, na grande maioria dos casos, muito jovens para a Europa. Com a “cobrança” de mostrarem resultado imediato, mais a mudança de hábitos e a distância das pessoas mais próximas, muitas vezes nem conseguem permanecer.

E é neste momento que o jogador mais necessita de uma estrutura planejada e organizada. Na chegada, nos primeiros meses no país, é que tudo precisa estar alinhavado para que o atleta possa superar problemas com a língua, com a culinária, com a logística do dia a dia, evitando que esses pequenos detalhes tornem-se grandes problemas e que venham a reprimí-lo ou desmotivá-lo na sequência.

Por isso, os jogadores precisam ser cada vez mais profissionais e, claro, estarem cercados de pessoas que também têm uma visão ampla em relação à evolução que o futebol vem tendo. Isto poderá minimizar a margem de erro na adaptação, superando até mesmo as expectativas do clube e dele próprio.

Um novo momento, uma nova leitura, um Novo Futebol

16 de novembro de 2011

Primeiramente gostaria de me apresentar.

Chamo-me Luiz Paulo Chignall. Sou empresário e gerencio carreiras de jogadores de futebol.

Durante alguns anos venho trabalhando e, principalmente, estudando as tendências para entender como funciona esse mercado que é, diríamos, “um pouco” distinto dos demais. Por ser minha profissão e minha vida, sinto-me na obrigação de acrescentar.

Sempre fiz questão de deixar claro que não gostaria simplesmente de trabalhar com Futebol, mas de construir uma carreira planejada dentro dele. Ter sucesso ou não, dependeria somente do meu próprio trabalho.

Então, esse espaço foi criado justamente com a intenção de expor e trocar experiências relativas à evolução do futebol.

Será muito gratificante ter a participação de profissionais envolvidos direta e indiretamente  com o futebol, assim como pessoas de outras áreas que entendam que podemos adaptar modelos de negócios e de administração advindas de suas áreas. Somente dessa forma, o Novo Futebol terá sentido para mim.

Observando a forma como se move o mercado há alguns anos, comecei a utilizar a nomenclatura Novo Futebol exatamente devido à grande necessidade que, principalmente o Brasil, tem de evoluir. Então resolvi ter um espaço para troca de informações e experiências.

Vivemos, neste momento, uma reciclagem no mercado do futebol e nós fazemos parte dela.

Bem-vindos ao Novo Futebol.